domingo, 28 de setembro de 2014

SOB NOVA DIREÇÃO


A semana passada acompanhei a movimentação das articulações para a formação das chapas para concorrer à Presidência do clube, e tive a saudável notícia ao fechar das inscrições, que vamos ter cinco chapas que vão tentar primeiramente vencer a cláusula de barreira dos 20% no CD, para depois tentar (aquelas que fizerem pelo menos 20% de votos no CD) decidir o futuro do nosso time, com o voto dos sócios no pátio. Nas chapas inscritas, os postulantes ao mais elevado cargo na hierarquia do clube são : Jorge Eduardo Bastos, Homero Bellini Jr., Nilton Cabistani, Pierre Gonçalves, e Romildo Bolzan Jr. A situação aqui representada pelo candidato Romildo Bolzan Jr. e as demais articuladas em seus grupos políticos, alguns deles inclusive fazendo parte daqueles que até pouco tempo atrás apoiavam a atual direção.

Mas vamos retroceder uma casinha, só para entendermos o contexto da situação atual do Grêmio. Na sexta (19.09), tivemos o banquete em homenagem aos 111 anos do Grêmio. Neste dia ainda estava como vice de futebol, o assessor Marcos Chitolina, e que nesta mesma noite confraternizou junto com seus colegas de direção mais um ano de existência do nosso clube. Na terça (23.09) desta mesma semana fomos surpreendidos com a saída do assessor Marcos Chitolina pela atual direção do clube, que exatamente dois dias antes confraternizavam entre si no tal banquete, e ato simultâneo o anúncio do ex-presidente Duda Kroeff como novo vice de futebol. Ainda na quarta (24.09), isto é, 24 horas após a demissão do vice de futebol, foi oficializada a candidatura da situação representada pelo Sr. Romildo Bolzan Jr.

Coincidência, obra do acaso, oportunismo, conspiração, ou um mero caso de cronograma para servir ao casuísmo de ocasião ???

Na verdade não entendi muito bem, por que será que nas vésperas de uma eleição, especialmente em função do momento do time, da abstinência de títulos, e da crença junto ao torcedor que acha que fica cada vez mais distante a possibilidade de uma taça este ano, anunciarem essa demissão ? O que será de fato que levou o Dr. Fábio Koff a tomar esse tipo de decisão neste momento ?

O departamento de futebol é o órgão mais visado do clube, portanto, qualquer um que esteja lá será criticado, e muitas vezes massacrado; vai depender de seu desempenho junto às funções que o cargo exige, mas uma coisa é certa, a indicação para o cargo é de responsabilidade exclusiva do Presidente do clube. Sendo assim, sua escolha vai ser contabilizada em seu currículo. Não entro no mérito aqui se o ex-vice foi bom ou não, o que importa é por que um Vice que serviu até o banquete de aniversário, não serve mais a partir da definição da nova chapa ?? E aqui mais uma brutal coincidência, o novo vice que assume será o próximo vice de futebol na chapa da situação ! Então pelo jeito a saída do ex-vice se deu pela intenção da chapa da situação querer trocar o vice de futebol para a próxima gestão, seria isso ?? Fica muito difícil de compreender toda essa movimentação, justamente num momento de grandes articulações políticas para as próximas eleições. Não sei como o associado vai "ler" toda essa movimentação (que está mais para uma atrapalhação). Será que vai pensar que os grupos que apoiavam no passado não estão assim tão alinhados com o presidente no presente ? Será que a definição foi meramente técnica, conjugado com o atual momento do futebol ? Será que houve algum desgaste do ex-vice com a atual direção... Enfim, o que de fato motivou a saída do ex-vice e que não foi dito na mídia ? Outra pergunta que se poderia fazer : Independente dos motivos, da necessidade, e da urgência (se fosse o caso) da necessidade da troca do cargo, por que essa demissão ocorreu exatamente 24 horas antes do anúncio da nova chapa com o novo vice de futebol ? Por que então não se orquestrou uma saída honrosa para o ex-vice, não lhe submetendo a esse tipo de constrangimento? Será que existe alguma coisa entre o céu e o Aranha que não foi captado no ar ?

Não sei se o comando da campanha da chapa da situação considerou que pode não ganhar as próximas eleições, porque isso pode acontecer, e que o atual momento pareça ser um absurdo uma afirmação deste tipo, ainda mais sendo uma chapa que representa o Dr. Fábio Koff. Se isso acontecer, apenas como um exercício de raciocínio, ficaria o ex-vice e o atual vice com sentimentos antagônicos, para dizer o mínimo, que eventualmente poderia ocorrer como consequência dessa dança das cadeiras.  Outra questão que parece ter ficado no ar, foi a falta de uma articulação em torno de um projeto para a chapa da situação, essa troca (in)esperada do ex-vice de futebol já vinha sendo especulada há algum tempo, o que significa dizer que a direção teria um momento mais adequado, como por exemplo, o caso da injúria racial praticada por alguns torcedores na Arena, mas não o fez. Em vez disso preferiu se omitir e surpreendentemente reservar uma data mais festiva para demitir o vice de futebol.

Mas vamos retornar ao início deste texto, onde eu escrevia que me sentia feliz em saber que teremos cinco chapas que vão concorrer nas próximas eleições (primeiramente no CD) para a direção do Grêmio. Não tenho dúvidas que qualquer uma das chapas vai encontrar simpatizantes e voluntários para ajudar na sua eleição, mesmo com toda a adversidade, em maior ou menor grau de dificuldade para cada uma das nomitadas que se candidataram. Mas essa diversidade de pensamentos certamente vai trazer ainda mais qualidade neste pleito. E apenas para efeitos matemáticos das probabilidades, a próxima reunião do CD, antes mesmo de terminada, todos nós saberemos quantas chapas vão para o pátio disputar os votos dos associados, e por um motivo simples : Para que todas as chapas ultrapasse a cláusula de barreiras, será necessário no mínimo a presença de 300 conselheiros....

Resta saber se vamos ter uma reunião história do CD com a reunião de pelo menos 300 conselheiros que vão começar a definir o destino do Grêmio, ou senão, antes mesmo de iniciar, saberemos que no máximo teremos um determinado número de chapas dependendo do número de conselheiros presentes, lembrando que pelo atual estatuto que os suplentes, na ausência dos titulares, agora também podem votar.

Mas de um jeito ou de outro, o fato é que em 2015 estaremos SOB NOVA DIREÇÃO, e certamente vamos iniciar o ano com novas expectativas, mas com os MESMOS SONHOS !!!


 


FÁBIO IRIGOITE
EX-CONSELHEIRO,
SÓCIO GREMISTA DESDE 1993, 
COMENTARISTA NO PROGRAMA 2 TOQUES

Share |

sábado, 27 de setembro de 2014

DON'T CRY FOR ME CHITOLINA

Coluna do Carlos Josias: Diretor Jurídico do Grêmio 93/98, Conselheiro 94/2010 e Vice-Presidente 2005/07. Josias @cajosias é colunista do Grêmio 100mil. www.facebook.com/cjosias.oliveira



 
 
 
Informam - estou fora de P Alegre - que Chitolina saiu atirando que aceitava críticas de torcedor mas não de ex-dirigente ( ??? ).
 
Pronto, criado o cadastro para habilitação à crítica.
 
Por esta observação surreal é de se indagar: e o elogio aceitaria ?
 
Ah, claro, o elogio ele aceitaria de ex-dirigentes, só a crítica que não. Mas quem iria elogiar o desempenho do futebol neste período ? Pois é.
 
Não bastasse isto, as críticas não são pessoais, e sim de condução, de eficiência, ou falta dela. Nunca se duvidou da integridade e honestidade dele, se duvidou da capacidade ( eu, aliás, desta nunca duvidei também, era incapaz ao cargo ). Ele misturou tudo e observou com carência de inteligência na medida em que é requisito básico para ser dirigente o ser torcedor. Cacalo, aliás, repete isto com frequência, diante das resistências que teria tido no passado quando vice de futebol sob o argumento de que era ´muito torcedor`.
 
A declaração é sintomática e reveladora: ele não estava preparado para o exercício da função que (não) desempenhou durante todo este tempo e com prejuízo do clube. Ele saiu como entrou, e, pior, um desastre em Grenais. Para ser esquecido ? Não, para ser lembrado a fim de que se evitem erros do tipo e que se deixe de entregar a amadores um cargo de tamanha relevância. Pior do que entregar para amadores, na verdade, é confiá-lo a neófitos.
 
Ainda que fora da nomenclatura de Vice-Presidente, a função que exercia a ela equivalia. Ali estiveram Cacalo, Koff, Hélio Dourado, Nelson Olmedo, Galia, entre tantos. Trata-se de um lugar que deve ser entendido como ´de respeito`, ao menos em nome daqueles que ali estiveram e tantas conquistas nos deram.
 
O interessante de observar é que na gestão Odone ele criticava o futebol da manhã à noite e em todas as rádios, mas pela linha esposada podia, afinal, não era então ex-dirigente.
 
Fui crítico da entrega a ele daquele ´bastão`, desde o início e exerci esta crítica mesmo nas raríssimas vitórias que tivemos, porque tinha a convicção de que com ele chegaríamos ao fim da gestão da forma que chegamos. Acertei, em que pese nunca ter torcido pela tese, até porque o Grêmio é infinitamente maior do que nós.
A saída de Chito não consertará os estragos havidos.
- nem irá autorizar a se pensar de que agora vai, até porque estamos no final do campeonato e o trabalho foi inúmeras vezes recomeçado, face tantos erros cometidos -
 
 Mas evita danos maiores.
                                                                                      
Saiu, pena que tão tarde. Mas, já dizia o sábio ditado popular, antes tarde do que nunca.
 
 Que seja feliz na sua vida pessoal e profissional. Que se mantenha torcedor. E que nunca mais chegue perto do vestiário do Grêmio, salvo para confraternizar nas vitórias e se solidarizar nas derrotas. Como bom torcedor que é.

 
Abs

 

 
Share |

sábado, 20 de setembro de 2014

Rio Grande do Sul - 20 de Setembro




































Vídeo: Alex Leonardi


Share |

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

O AMADORISMO DA GESTÃO PROFISSIONAL


Essa semana estava de carona no carro de um colega de trabalho me dirigindo para um compromisso profissional e o rádio estava sintonizado num programa de esporte e o tema do assunto era sobre as eleições no Grêmio. Até ai nada demais, mas lá pelas tantas me chamou atenção um ex-presidente que participa do programa que foi questionado sobre a possibilidade dele voltar a concorrer das eleições ou participar do CA na próxima gestão.  Ele não só negou veementemente que possa existir tal possibilidade, como ainda afirmou que não participa mais da vida política do clube, ainda que tenham circulado informações sobre uma pretensa candidatura que gostaria de tê-lo como vice de Futebol. Questionado sobre o porquê de não querer voltar ao Grêmio como dirigente ele alegou impossibilidade de compatibilizar sua vida profissional com as exigências de tempo e dedicação que o cargo exige a frente da direção do clube. Nesse momento surgiu no debate a necessidade dos clubes criarem o cargo de presidente remunerado, o que este ex-dirigente declarou solenemente que era CONTRA a remuneração do presidente do clube, ele achava que o presidente é um cargo de entrega e dedicação por amor e paixão ao clube, e que se recusaria de ser remunerado caso viesse a ser novamente dirigente, e o resto do debate, ou pelo menos a parte que eu acompanhei, seguiu nessa ladainha.

Algumas reflexões sobre o assunto, aliás, eu já havia escrito sobre isso por aqui anteriormente, querer ser candidato a Presidente do Grêmio tem duas premissas de imediato: 1) Ter condições de ficar o período do mandato sem precisar trabalhar, isto é, ter uma fonte de renda que sustente as suas necessidades de sobrevivência; 2) Ter experiência política no cargo.  Diante destas duas barreiras de entrada, já de cara temos um enorme problema de continuísmo na condução da gestão política, administrativa e de gestão do clube, porque a enorme maioria dos pretendentes a ser um dia Presidente do clube depende de sua atividade profissional para poder se dedicar inteiramente ao clube, o que me leva uma conclusão: somente pessoas que não dependem de seus empregos é que podem postular tal honraria. Quando eu escuto alguém dizer que é contra a remuneração do Presidente do clube eu fico em dúvida sobre a sinceridade dessa declaração, senão vejamos, ou estamos diante de alguém interessado que não se amplie o leque de Gremistas qualificadas para disputarem o cargo, ou então a argumentação se prende a aspectos que já se envelheceram diante do crescimento do negócio futebol, e aproveitando para deixar registrado, jamais acreditaria em qualquer outra motivação de quem defende a manutenção do modelo atual (não remuneração do Presidente do clube). Fico pensando como uma pessoa pode tomar decisões que estão em jogo, além dos interesses institucionais do clube, verdadeiras fortunas financeiras ?? Como fazer isso sem se envolver de corpo e alma no dia-a-dia do clube ? Aliás, como tomar decisões de tamanha responsabilidade se não estiver profundamente envolvido com todas as áreas que permeiam o clube ?

O futebol tem alguns detalhes importantes que até hoje não se conseguiu resolver, por exemplo, vinte e dois profissionais entram em campo para jogar com a mediação de um AMADOR !!! Sim, os juízes que apitam as partidas são amadores, porque exercem outras atividades, não vivem exclusivamente da profissão de juiz, pelo menos a quase totalidade. Então assistimos profissionais que vivem e dependem de jogar futebol, sendo supervisionados por amadores que nas horas vagas fazem um bico para ganhar algum dinheirinho extra. E assim cada vez mais se observa uma queda de qualidade nas arbitragens, ao ponto que cada vez mais os árbitros estão errando, além do próprio envelhecimento do atual quadro de árbitros no Brasil. Veja que estamos refletindo sobre a condução de um jogo, imagina ser Presidente de um clube !!! O futebol se transformou num negócio muito sério e profissional, e como tal deve (ou pelo menos deveria) ser conduzido de forma profissional e orientado a resultados, e não movido pela paixão, porque onde existe paixão não há espaço para a razão, e empresas são movidas a lucros monetários e não monetários, e não a sentimentos de cada momento quando falamos sobres GESTÃO. Outro ponto também que merece ser destacado se refere aos papéis que cada cargo exerce na estrutura de poder de uma organização, como por exemplo, as estruturas políticas (conselhos de administração) e comando operacional das empresas (Presidência Executiva), enquanto o primeiro responde pelas relações institucionais da empresa, o segundo é responsável pela operação e lucratividade da empresa. Mal comparando com as estruturas empresariais, na minha singela opinião o Grêmio deve manter o cargo de Presidente do clube, mas deve também referendar a contratação de um Presidente Operacional remunerado pelo clube, que ficará responsável em fazer a gestão administrativa, financeira, mercadológica e operacional do clube, enquanto o Presidente Institucional do clube ficará ocupado exclusivamente com as questões relativas ao futebol e os demais assuntos de ordem política e institucional do clube. O Presidente Operacional por sua vez, deve ser escolhido a partir de um processo de seleção isento e não político, através da contratação de um headhunter independente especializado em profissionais de alto padrão.  Para isso acontecer creio que deve haver uma verdadeira revolução cultural no eixo político do clube, buscando introduzir um novo padrão de conceitos e padrões de gestão do clube, e o mais importante, com pessoas realmente comprometidas com o crescimento e modernização do clube. Não sou ingênuo de pensar que essas ideias sejam fáceis de ser implementadas, mas também não acho que são impossíveis, depende muito de quanto cada um dos envolvidos na questão, e mais ainda o que cada um pensa para o clube, se abstendo de seus interesses pessoais.

Ver o nosso time vencer depende de profissionalismo dentro e fora de campo, mas ver nosso clube se modernizar depende exclusivamente do quanto queremos ter uma direção focada na responsabilidade.


FÁBIO IRIGOITE
EX-CONSELHEIRO,
SÓCIO GREMISTA DESDE 1993, 
COMENTARISTA NO PROGRAMA 2 TOQUES



 
 
 


Share |