Mostrando postagens com marcador Carlos Josias. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Carlos Josias. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

O que eu vou fazer pra te esquece ? Nós não faremos uma mudança de casa comum. Somos uma nação e o amor é o meu país.



Foi uma noite difícil, ansiosa. Era a noite do ultimo dia. Durante os últimos instantes que me separavam do último dia confesso que tive muitas dúvidas se deveria ou não ir ao campo. Mas fui. Cumpri um ritual que religiosamente sempre cumpri. Parada na Metrópole do Seu Felipe, mesa com os amigos do peito, uma boa costela bem gorda, uma cerveja bem gelada, um esticar de pernas, e depois uma lenta caminhada para o pórtico. No caminho incontáveis abraços e cumprimentos entre um e outro grito de conhecidos, companheiros e grandes amigos. A passada pelo bar da eterna Beth, onde vi o hoje homem feito Tiaguinho crescer, o mascote da década de 90, novos encontros. A torcida do Grêmio se divide em tribos de lugares: Metrópole, Preliminar, Beth.... Mas todos se encontram e todos tem uma única paixão. Uma volta completa pelo pátio, uma última espiada no velho memorial. O jogo. O jogo, só eles não entenderam que era o que menos importava. Mas é compreensível, eles estão sem ´casa`, sem treinador, sem torcida ... sem time. Ontem o que menos importava ao torcedor do Grêmio - e disse isto muito antes aqui mesmo, em O GRENAL DA RINHA NUM DIA DE FÚRIA - DE TEMPOS EM TEMPOS - O CURIOSO CASO DO PITBULL:
http://gremio100mil.blogspot.com.br/2012/11/o-grenal-da-rainha-num-dia-de-furia-de.html#.ULcnHkV87DA.twitter
 
Ah, tinha a vaga direta, o segundo lugar ... mas nada era superior ao significado da despedida.
Cheguei cedo, 13 horas, fui para a mesma praça, no mesmo bar encontrar os velhos e queridos amigos, os mesmos .....e durante todo o período só o que se falava dizia com recordações e jornadas do Olímpico. Ninguém falava no co-irmão cujo retrovisor não lhe mostrava há muito.
Quando o dia começou a cair e se fez escuro a última olhada, a descida vagarosa, o choro contido, a dor no peito, óh pedaço arrancado de mim ! Tinha um show à noite para ir, do Nei Lisboa. Fomos, eu e a minha mulher, quase que em silêncio para o espetáculo. É bom, para relaxar.... Ninguém mais da terra que para entender uma dor da terra ( ainda que o Nei tenha aquele defeitinho ..... mas ele foi respeitoso, entendeu que o dia especial e nenhuma gracinha houve ). Quando eu estava tentando me livrar da saudade que o dia me impôs o cara me larga esta:
 
Prá te lembrar ....Que é que eu vou fazer prá te esquecer? ....Que é que eu vou fazer prá te deixar ?
Me desmanchei !
 
Antes do jogo o amigo @rcopetti me pede uma entrevista e me pergunta sobre a mudança. Jorrou de mim:
 
- Nós não estamos mudando de casa ou de apartamento. Nós estamos mudando de País. Somos uma Nação. Aqui não é ou era só a nossa casa, aqui era o nosso país. Imagina alguém chegando aqui no Brasil e dizendo que o continente vai afundar, temos que sair daqui, mas não tem motivo de preocupação porque vamos para uma Canaã moderna, onde se tem leite, mel, destilados em geral, muita ceva, e que viveremos num primeiro mundo luxuoso o que se diria ? Puxa vamos .... mas como deixar o nosso País ? Dói demais.
Sai do Estádio sem olhar para trás, com medo de virar estátua de sal.
 

O amor é o meu país !
 
A ARENA, pujante, ocupará, certamente, dia a dia, semana a semana, mês a mês, ano a ano, década a década, o lugar dela no meu coração. Quem é da minha geração, entretanto, sempre terá o coração mais ocupado pelo Olímpico e no máximo com o tempo a ARENA alcançará tanto quanto. Com o tempo dividido e talvez, aos pedacinhos ela vá avançando .... acho que morro e a ARENA não vai ocupá-lo por inteiro. Quem sabe no fim da minha vida o coração já esteja dividido ao meio, metade para o Olímpico metade para a ARENA. Esta mocidade linda que invade o Estádio certamente logo estará com a ARENA inteira no peito. Talvez daqui há 70 anos passem pelo mesmo drama....sabe-se lá os destinos da vida.....ai irão entender o que sinto e tantos sentem hoje. Sempre fui a favor da ARENA incondicionalmente. Mas nunca me peçam para esquecer o Olímpico. Nele me criei e nele me tornei aguerrido e bravo. Jamais nos matarão.
 
Não tem o que fazer para esquecê-lo.
 
A pergunta do Nei na canção = não tem resposta, no que diz respeito a mim e ao meu país.

Obrigado a todos os Gremistas que ajudaram a construiro Olímpico. E OBRRRRRRRRRRRIGAAAAAAAAAADO HÉLIO DOURRRRRRRRRRRRRRAADOOOOOOOOOOOOO por sua persistência.

                               @cajosias face C JOSIAS MENNA OLIVEIRA

Share |

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Funcionários do Grêmio dos últimos dias do Olímpico


O título parece nome de Religião e Igreja, não ? E é, pois a nossa paixão pelo clube é uma Religião e o Olímpico tem sido nosso Templo em mais de meio século. Os últimos dias do Olímpico se marcam uma mudança de trajetória do clube, na ida para uma casa mais moderna acumulada da expectativa de nova era, como sempre nos ocorreu em situações semelhantes, e com perspectivas de grandes conquistas, também registram algumas aflições. Uma diretamente vinculada à paixão do torcedor, que é o ´adeus` ao velho Estádio de tantas glórias, outra aos funcionários de tantos anos. Já se sabe que na mais otimista das previsões no mínimo metade dos 300 empregados do clube não acompanharão a migração. Não vou debater cortes, não conheço as necessidades internas hoje do clube tampouco as avaliações que são feitas e menos ainda as necessidades que a nova vida nos trará. Pulo esta parte. Iniciei minha vida política no Grêmio em 1993 com o Dr. Fábio Koff e permaneci como Diretor Jurídico até 1998 - Cacalo - e nesta minha primeira passagem na executiva pelo clube vivemos anos de incontáveis conquistas, intensas lutas e saímos do zero ( 93 endividado o Grêmio vinha da segunda divisão ... ) para acumularmos o memorial de faixas e taças num trabalho que envolveu efetivamente uma equipe que começava pela portaria e terminava no Presidente, e ou vice-versa como diria o Jardel.... Conheci, e pelo nome, se não todos, a grande maioria dos funcionários do nosso Grêmio. E convivia diariamente com eles. Muitos já falecidos, como a incrível Verinha, chamada de SUPER VERINHA - apelido ganho ainda nas décadas de 70 e 80, principalmente - o Sr. Brunet e tantos outros que passaram a vida mais dentro do Estádio que fora dele. Tenho orgulho do imenso carinho que todos sempre me dedicaram e que sempre revelam quando me encontram no pátio do estádio em qualquer hora ou dia que eu passe por lá. No último jogo que fui, contra o Palmeiras, cheguei a embargar a voz e sentir um nó na garganta quando apertei a mão do Sr. Virlei. Mas apesar destes anos todos de 93 a 98 e da convivência com eles, foi na minha segunda passagem, de 2005/07 que estreitamos definitivamente as relações. Em 1994 ou 1995, não me lembro exatamente, eu havia escolhido e admitido para o Jurídico o Dr. Jorge Petersen, primeiro advogado a fazer parte do quadro de funcionários. O jurídico foi o primeiro depto do clube a efetivamente se profissionalizar e o primeiro Diretor remunerado, por felicidade, foi também na minha gestão desta vez em 2005, Dr. Celso Rodrigues que ao sair me oportunizou chamar o Dr. Gustavo Pinheiro que até hoje desempenha o cargo. O futebol já tinha tido o Denis e em 2005 o Mário Sérgio, mas o futebol é um mundo à parte. Pois em 2005 quando cheguei Vice no primeiro dia de trabalho chamei o Dr. Jorge e lhe pedi: me leva em todos os departamentos do clube, quero ver todos os funcionários e conhecer os que não conheço. E fiz isto. Passei um dia inteiro fazendo um tour pelo clube e conversei com todos os funcionários que estavam lá naquele dia. De muitos ouvi que nunca ninguém da diretoria havia feito aquela, digamos, ´revista`. Passei a ter uma relação ainda mais próxima, carinhosa, solidária e de participação de todos quantos precisei ao longo dos 3 anos que permaneci nesta última etapa. Todos acham arriscados fazer nomeações ou listar quando se presta alguma homenagem. Pois eu penso que é preferível correr o risco de várias omissões do que cometer o crime de não citar ao menos alguns que a traiçoeira memória nos recorda. Tenho certeza que me conhecendo como me conhecem os funcionários do clube saberão compreender e saber que a omissão não se deu por esquecimento porque todos quantos conheci - e muitos às vezes não me lembro do nome até porque sou multicampeão em trocar nomes - estão guardados no meio do meu peito e esta caixa de lembranças tem um nome só: coração !

Cito os que me recordo agora:

JURÍDICO - Tânia
MKT - Melissa / Gabriela /
FINANACEIRO - Marisa / Neiva / Rosito
CONTÁBIL - Paulo Salerno / Karoline
INFORMÁTICA - Andrade
ADMINISTRAÇÃO - Geraldo / Júlio Brunet (falecido e mencionado acima )
RH - Jaime Bastarrica (falecido) / Ricardo / Ana
COMPRAS - Arlete
MANUTENÇÃO - Vargas / Higino
SEGURANÇA - Virlei
LOJA - João Basílio / Seu Bráz (falecido)
CENTRAL DE ATENDIMENTO - Arci
PATRIMÔNIO - Cesar
PRESIDÊNCIA - Ana Vinhas
FUTEBOL - Seu Verardi / Luiz Moraes / Rosa / Verinha ( falecida )
CATEGORIAS DE BASE - João Antônio
MÉDICOS - Bolzoni / Márcio Dornelles / Rabaldo / Alarico / Felipe do Canto
PREPARADORES: Mauro Cruz
MASSAGISTAS: Marco Zellmann / José Flores
MEMORIAL: Sampaio
ZELADOR: Moacir e muitos outros como a Vals que sinceramente hoje não sei em qual o depto está trabalhando.

A todos vocês e a todos que não constam na lista - com meu pedido de perdão - de coração, obrigado - sigam Gremistas e sejam felizes: vocês carregam partes importantes da história do Grêmio na alma. E isto não tem, na verdade, homenagem no mundo que fique à altura da gratidão.

@cajosias  face  C JOSIAS MENNA OLIVEIRA


Share |