quinta-feira, 12 de maio de 2016

A COMPLEXA ESCOLHA DOS HOMENS DO FUTEBOL E COMO VEJO OS ESCOLHIDOS

Coluna do Carlos Josias: Diretor Jurídico do Grêmio 93/98, Conselheiro 94/2010 e Vice-Presidente 2005/07











Está no nome, Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense. Somos um clube de Futebol, não de regatas, ou seja, lá que outra modalidade esportiva, o futebol não só está gravado na denominação como é o objetivo e única motivação da existência do clube.
 
Em qualquer clube do mundo a escolha dos homens que formarão o Departamento de Futebol é polêmica - no Brasil mais do que no resto do planeta e no RS ainda mais. Nunca haverá um nome que agrade a todos, conselheiros, dirigentes e ex, torcida, imprensa. Imaginem três nomes. Some-se a isto um clube que vem de longo jejum no regional, 6 anos, e competições nacionais, 15, sem contar América e a Copa maior. Bem, aí temos todos os ingredientes para uma impossibilidade total de convergência. Não encontro um nome sequer que pudesse satisfazer este conjunto de interessados: conselheiros, dirigentes e ex, torcida e imprensa. E com três a possibilidade de discordância multiplica-se pelo mesmo algarismo. Inescondível o dilema de quem tem que escolher. E a tarefa cumpre mais ao Presidente do que ao próprio CA, mas também é encargo dele. Agora imaginem 7 tendo que escolher e aprovar 3, maior a dificuldade e espinhosa.
 
Neste quadro surgem Alberto Guerra, Rolim e Dutra para um sofrido vestiário com a tarefa que muitos tentaram e não conseguiram - inclusive o próprio Guerra - qual seja, a de enfiar o Grêmio de novo no trilho das conquistas e enfrentar, nesta escalada, uma torcida exigente - pelas glórias do passado - impaciente - pelos fracassos do presente - um conselho inquieto pela divisão de grupos, uma oposição reclamante - às vezes com, noutras sem razão, o que é normal e cumpre sua tarefa - e uma direção que cada vez vê mais curta sua munição para convencer logo ali, daqui a alguns meses, o eleitorado que pode eleger os atuais governantes, ou não.
 
Que situação.
 
Isto, contudo, não me retira o direito, e o de nenhum Gremista, de opinar e avaliar tais escolhas.
 
Vejamos.
 
1. Qual o critério adotado para a escolha de Guerra ?
 
1.1. Só RB deve saber. Político não foi. Ele não é da gestão, não pertence a nenhum grupo - o último que esteve hoje é oposição. Técnico também não, ele já passou pelo cargo e foi apenas razoável, não foi espetacular. Como todos antes e depois dele, nada ganhou, ainda que tenha tido relativo sucesso mais pelo carisma de Renato Portaluppi junto ao torcedor do que por condução própria.
 
2. Rolim ? Excelente gestor, homem de administração genial, pouco entende de futebol e o próprio Guerra referiu-se a ele como homem de confiança e para trabalhos burocráticos. Não me surpreenderia que pelo talento que possui em organizar metas, acabasse no cargo executivo deixado por RC, não agora, exatamente, mas mais adiante. Não é de se esquecer de que Guerra levou RC.
 
3. Dutra ? Bem, situação curiosa. AVM saiu da VP para o Futebol, deu errado e voltou num ambiente de constrangimento a exercer a VP - dificilmente isto aconteceria hoje, RB está a léguas dos desentendimentos, como era do perfil de Odone. Mas é perigoso. No caso de Dutra ainda mais, porque como VP do CA ele é Patrão do VP do Futebol, e entra ali subordinado. Complicado. Em 2005 eu estava na VP do CA. Renato Moreira e Francisco Rocha Santos me procuraram para assumir o futebol. Fui categórico: faço o elo entre os homens do futebol e a Presidência, acompanho no vestiário, mas o cara do vestiário tem que ser outro. E devolvi a bola para Renato. Ele foi para o futebol e eu fiquei dando respaldo político. Funcionou. Fiquei ali 2005 e segui com Pelaipe até o final de 2007 - Renato saiu em 2006, ano terrível, eles tinham ganhado a LA e o Mundo - quando fomos à final da LA. Funcionou. Além de dois Gauchões - ultimo bi - saímos da 2ª - Batalha dos Aflitos - e voltamos a figurar entre os grandes na LA.
 
Dutra fazia um trabalho excelente no CA. O risco de destapar dois santos é grande, mas ele topou.
 
Em favor de todos, o Gremismo, que é obrigatório. A integridade e a honestidade, que hoje em dia é raridade. A coragem de recepcionar o Grêmio nestas condições ali no olho do furacão - não é para qualquer um, basta ver que Pacheco só entrou porque outro não foi encontrado.
 
No que me diz respeito, sobretudo à inesgotável esperança que todos Gremistas estão sempre possuídos e à mística da recordação: a primeira passagem de Felipão como nosso treinador foi medíocre, bem menos eficiente que a de Guerra no futebol. Na segunda, sabemos todos.
 
Amém. Que assim seja. Sorte aos homens do futebol. Numa coisa há convergência, tenho quase certeza: a torcida de todos.
 
Saudações tricolores
 
 
 


 
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