sexta-feira, 27 de abril de 2012

Pouco a dizer em meio a porcas, parafusos, sacos de cimento e pregos no canteiro de obras do rival, É GANHAR OU GANHAR

É GREnal. E, convenhamos, a obrigação de ganhar este é nossa. Não tem outra. Não se diga que estamos com toda a força, não, isto não seria verdade, a perda de Kleber, o nosso diferencial - interessante o Palmeiras nunca mais se acertou desde a saída dele - nos colocou quase no lugar comum. Mas o adversário, e isto é inescondível, afora o fato de não contar com a sua melhor escalação, mira, inevitável que se reconheça isto, a LA e somado à ela seus desfalques são em maior quantidade. Não há a desculpa de que o jogo é fora, clássico é clássico, como dizia o filósofo Jardel - e vice-versa, completava - até porque já vencemos lá, e quando a rivalidade ataca não há esta tão decantada vantagem, ainda mais se considerarmos as já conhecidas circunstâncias e que a nossa barulhenta e fiel torcida não se entrega nunca, é valente e leal, fiel e corajosa, e não teme o campo adverso: então o time não pode vacilar. Se eles perderem o jogo vão ao RJ enfrentar o FLU e o ano continua. Se perdermos o prejuízo é maior. Agora é que vamos ver o Luxa e suas estratégias, agora é hora de ver o preparo, a concentração, e tudo que jogo a jogo temos visto menos do que gostaríamos. O melhor jogo do Grêmio este ano foi um GREnal, com Roger, e Luxa está sim devendo este jogo diferenciado que até agora, principalmente pelas fragilidades dos encontros pelo gauchão, não apresentou. O GREnal é o diferencial e tem de ser o diferente. Sair do Olímpico para o Beira Lago com esta incumbência e tarefa, não que seja fácil, é sobretudo uma imposição. 

O time nos deve esta, o Luxa nos deve esta, a direção nos deve esta. E hora de nos pagar. 

A semana foi de paz, as criticas amainaram, não houve corneta, não houve cobranças ao menos excessivas, há isto sim uma grande expectativa e estou convicto: vamos ganhar...temos que ganhar ! É assim que vamos atravessar o bairro, encarar porcas, parafusos e cimentos espalhados no canteiro de obras do rival 

É o que se espera. Não há muito o que falar, é ganhar ou ganhar.

@cajosias Carlos Josias

Share |

terça-feira, 24 de abril de 2012

Tcheco e a torcida

As estrelas costumam entrar em campo no futebol. No Olímpico monumental invadem também as arquibancadas. Muito se fala na vantagem que é jogar em casa, mas poucos clubes tem a força que o Grêmio tem. Não estamos falando de decisões, onde lotar estádio e ouvir a torcida do time da casa cantar é comum. Estamos falando do dia-a-dia. Que outra torcida canta 90 e poucos minutos em jogo de campeonato estadual, onde o time entra só pra cumprir tabela?

Aqui é assim: “Treino é jogo e jogo é guerra!”... Jogador que não entende isso não pode jogar no Grêmio. Jogador que não tem alma, que não se doa, que tem medo de carrinho não serve aqui. Aqui nos pampas o jogo é pegado. Não confundam com violento, tem muita diferença. A batalha é aguerrida, o espírito farroupilha povoa o mítico Monumental. Quem entende isso, incorpora e respeita tem lugar cativo no campo de batalha e no coração dos soldados da arquibancada.
Quem leu o texto anterior pode ter ficado confuso com a comparação entre Hércules e Tcheco. Ao falar do misticismo que envolve o Olímpico, as coisas devem ter ficado mais claras. Hércules nunca foi unanimidade, sempre duvidaram de sua força e aos poucos ele foi provando que era o filho de Zeus e que caminhava em busca da imortalidade. Tcheco nunca foi unanimidade, sempre batalhou para vencer os críticos, jogou cada jogo como se fosse o último, mostrou que era filho daquele lugar e que queria a imortalidade. Mais claro agora?! Bom vamos seguir então...

“O jogador não tem dimensão e nem noção do carinho que a torcida tem pelo jogador, e eu não tenho essa noção.”

Tcheco foi aos poucos conquistando a torcida mais apaixonada do Brasil. Mostrando que era mais um apaixonado, que via o mesmo que nós e queria o mesmo. Ele buscava colocar o Grêmio no seu devido lugar, devolver-nos a imagem de campeão, de intocável, de feitos INACREDITÁVEIS. Quando se tem os mesmos objetivos fica difícil os caminhos não se cruzarem, as trajetória não se tocarem e por fim formar uma mesma reta.

A torcida foi vendo um pouco de si no Tcheco e Tcheco vendo a ele mesmo naqueles guerreiros da arquibancada. Tcheco demonstrava seu carinho pelo clube a cada gol, cada vitória a cada derrota. E a torcida aos poucos foi demonstrando seu carinho a cada treino, cada jogo, cada decisão. No fim já sentíamos como se tivéssemos um torcedor comandando a equipe tricolor. Era assim que te víamos Tcheco, um elo entre a arquibancada e o campo. A prova de que o Grêmio não é apenas uma equipe de futebol, é um todo. É o misticismo que envolve o Monumental, é a garra... É mais amor que técnica. Talvez ele tenha se tornado tão importante para torcida, porque veio em um momento difícil e nos devolveu a esperança, mostrou que o espírito do Imortal estava lá e sempre estaria.

Aline: Se houver, qual a diferença entre o carinho que recebes da torcida do Grêmio e do Coritiba?

Tcheco: “A torcida do Coritiba é muito carinhosa comigo, tive sempre uma relação boa com os torcedores do coxa. Mas minha passagem no Grêmio foi muito marcante, por isso a relação da torcida comigo é muito forte em termos de demonstração de carinho.”

Aline: Tcheco, você acredita que o Grêmio já tenha encontrado um substituto para você na linha e no coração dos gremistas?

Tcheco: “O jogador não tem dimensão e nem noção do carinho que a torcida tem pelo jogador, e eu não tenho essa noção. Mas acho que jogadores melhores que eu o Grêmio já teve e tem, mas tem que dar tempo pra eles também, o futebol é muito dinâmico, sempre troca de jogadores, por isso tempo é necessário pra jogador se tornar importante, como o Victor.”

Aline: Alguns jogadores dizem que sequer escutam a torcida devido a concentração no jogo. Você concorda, ou acha que o peso da torcida no Olímpico faz diferença?

Tcheco: “Realmente a concentração é grande mesmo, adrenalina é grande também, e você esquece realmente que em alguns momentos o estádio está lotado. Mas isso é em alguns momentos, porque quando a bola sai pra escanteio, ou a torcida vaia o outro time quando o outro time está com a bola, ou o time está pressionando e a torcida apoia mesmo, ai você pode ter certeza que qualquer um sente a força da torcida.”

Aline: Quando você foi ao Olímpico, jogar o Campeonato Brasileiro pelo Coritiba contra o Grêmio, o que você sentiu? Você esperava a reação que a torcida teve? Como é estar do outro lado?

Tcheco: “Eu fui primeiro com o Corinthians, fazia 3 meses que tinha saído de lá, eram 30 minutos do segundo tempo o Mano chamou eu e o Paulinho, e só tinha uma substituição. O Mano disse: tô pensando em fazer isso e tal, tô pensando em colocar um de vocês dois. Aí eu disse: então coloca o Paulinho que é melhor. Não quis entrar naquele jogo porque tive opção, sei lá porque fiz isso. Mas pelo Coritiba eu ia entrar jogando, foi diferente entrar pelo vestiário contrário do de costume, não imaginava aquela recepção também, me emocionei. Mas depois do jogo, fui pro doping e entrei no vestiário, cumprimentei todos, fui na sala de entrevista, parecia que eu jogava lá ainda, só tinha dado um tempo e voltado, todos me receberam bem lá, como disse antes do jogo, estava voltando prá casa, e realmente era como me sentia.”





Aline Remus, Gremista desde sempre. @alineremus

Share |

segunda-feira, 23 de abril de 2012

MAKTUB

Imagem editada. Fonte: tchecoeternocapitao.blogspot.com.br
Anderson Simas Luciano, mais conhecido como Tcheco, nasceu em Curitiba-PR aos 11 de abril de 1976 (aliás, abril é um mês de gente boa não é?!). Piadas a parte, se eu não começasse esse texto com bom humor, seria difícil estar falando do brincalhão Tcheco. Reza a lenda que Tcheco nasceu destinado a ser grande. Como Hércules, parece que Tcheco almejava a imortalidade e para tanto seu destino era o sul do país. A profecia começou a se cumprir cedo, quando graças a vizinha gaúcha o até então Anderson incorpora o “tchê” e passa a ser chamado de Tcheco.

Sua jornada futebolística tem início no Paraná Clube em 1994, mas sua estréia só aconteceria dois anos depois, foi campeão paranaense em 1997. Entretanto as forças do universo conspiravam para que ele cumprisse sua saga e em 1998 Tcheco vem ao Rio Grande do Sul, mas para jogar pelo Esportivo. Sim, ele jogaria na serra gaúcha, mas ainda não entendiam que deveria ser a pré-temporada. Assim Tcheco retorna ao futebol paranaense, volta para o Paraná onde ingenuamente não o aproveitaram mandado-o como empréstimo ao Malutrom-PR. Lá foi peça fundamental para que a equipe subisse ao equivalente a série C do brasileirão na Copa João Avelange. Em 2002 Tcheco é contratado pelo Coritiba onde foi campeão estadual em 2003. No mesmo ano vai ao futebol Árabe, para empilhar uma série de taças pelo Al Ittihad. Tcheco volta em meio a polêmica entre Santos e São Paulo na disputa pelo jogador. O primeiro levou vantagem, mas Tcheco em meio a lesões não teve uma boa passagem pelo time e volta para o futebol Árabe.
"uma vez que joguei contra o Grêmio pelo Paraná Clube, eu me perguntava se um dia eu iria chegar num time como esse, consegui e foi lindo.”
Demorou, mas finalmente Tcheco é contratado pelo Grêmio e em 2006 pisa em solo gaúcho, talvez sem imaginar que caminhava para imortalidade (MAKTUB). O Grêmio vivia um momento conturbado, ano de sua volta a série A do campeonato brasileiro (lugar de onde deveria sim ter saído, para se tornar além de Imortal, épico). Tcheco se tornou o meio-campo e regente da equipe. Foi fundamental na conquista do Campeonato Gaúcho daquele ano, que teve um gosto especial. No ano em que o co-irmão “nasceu”, o Grêmio foi campeão em sua casa. Ainda como peça chave,Tcheco ajuda o Grêmio a chegar a Libertadores de 2007 (que será um capítulo a parte). Em 2007 o capitãoTcheco ergue a taça do estadual novamente.

Em 2008 Tcheco volta ao futebol Árabe, para tristeza e desespero de uma nação. Mas no fundo todos sabíamos que a história do capitão e do Imortal havia apenas sido interrompida. Desta vez a passagem pela terra dos shaks foi rápida (6 meses). Queremos acreditar que o coração tricolor pesou, e assim ele retornou para casa. Hércules, continuava sua jornada enfrentando minotauros, “deuses” e “semi-deuses”. Mais uma vez conduz o tricolor gaúcho ao seu lugar: a Libertadores da América. Para nós 2009 foi um ano aquém do esperado, mas tínhamos um coração tricolor a pulsar nos gramados, havia esperança, havia raça... Lá estava o capitão! Contudo, no final de 2009 Tcheco já não era unanimidade. E para descrença da torcida, em novembro de 2009 se findava a “Era Tcheco”. Será?! Bom, isso discutiremos mais adiante. No ano de 2010, Tcheco estava no Corinthians, mas não era do Corinthians, jamais seria. Ainda em setembro de 2010 Tcheco volta ao Coritiba e permanece lá, onde pretende encerrar sua carreira ao fim do campeonato paranaense do presente ano.


Quem olha a pura e simples história pensa: Então Hércules se perdeu no caminho? A profecia estava errada? Não seria Tcheco destinado a imortalidade? Enganam-se os que se perguntam isso. Ele chegou onde poucos conseguiram, chegou ao coração da torcida do Imortal, se firmou em um patamar de difícil compreensão. É hoje mistura de mito, lenda... O idolatrado Tcheco chamado de “capitão sem títulos” pela torcida do co-irmão. O que prova o quanto o conjunto Grêmio+Tcheco+Torcida tricolor os perturbava. É difícil entender como mesmo sem ser campeão da América, sem ser campeão do mundo Hércules pode ter vencido, mas venceu.

Aline: Você sempre sonhou em ser jogador de futebol ou alguma outra profissão dividiu seu coração?

Tcheco: “Sempre sonhei ser jogador, só me via assim, mas se não fosse jogador eu gostaria de ser bombeiro”

Aline: Lá, no início de sua carreira, algum dia tu imaginastes que iria para o futebol gaúcho?

Tcheco: “Joguei um mês no Esportivo de Bento Gonçalves. Mas uma vez que joguei contra o Grêmio pelo Paraná Clube, eu me perguntava se um dia eu iria chegar num time como esse, consegui e foi lindo.”

Aline: A emoção de fazer um gol, foi a mesma em todos os times que jogastes?

Tcheco: “Não, cada gol tem uma emoção diferente. Acho engraçado quando as pessoas falam que eu comemorava os gols com cara de choro, mas esses gols eram de uma importância que não tinha tamanho, ou na Libertadores ou nos jogos importantes do brasileirão que ficamos com o vice-campeonato. E em cada gol é realmente uma emoção diferente, ainda mais num lugar que você gosta e se identifica, como era eu aí, assim como no Ittihad teve gols emocionantes e importantes, e como no Coritiba também, tudo depende da importância do jogo.”

Aline Remus, Gremista desde sempre. @alineremus
Share |

Explicando como tudo começou..

Sei que vocês querem saber sobre a entrevista com o Tcheco, mas primeiro eu gostaria de explicar:

Como muitos sabem, não sou nem de longe jornalista ou integro esse meio, mas sempre gostei de escrever. Mesmo jamais tendo ingressado na área literária, sempre imaginei que um dia eu escreveria algo que agradaria a muitos. Ainda espero escrever algo revolucionário, mas vou guardar isso para a redação científica. Pois bem, o dia de agradar a milhares com minha redação chegou.
Confesso que as vezes sou um pouco mimada demais pelo nosso “chefe” no blog. O mimo da vez: falar sobre o Tcheco. Esse é meu presente de aniversário mais do que especial. 
Tcheco, gentilmente atendeu meu pedido e concedeu uma entrevista por e-mail. Dono de uma simpatia e carisma inigualável, mostrou mais uma vez porque é ídolo, mesmo sem títulos de expressão pelo Grêmio. Devido sua aposentadoria, faremos então uma homenagem ao nosso eterno capitão.
Uma prévia do que virá:
Rapidinhas:
Ídolo: “Zico”
Melhor jogo: “Final da Copa da Ásia em 2005, fomos campeões e o jogo entrou pra história da Ásia e com certeza minha.”
Lugar preferido: “Minha casa, praia e Nova Zelândia”
Uma tristeza: “Não ter ganho os títulos importantes no Grêmio, tristeza grande, dolorida.”

Aline Remus, Gremista desde sempre. @alineremus

Share |